Taekwondo: descobrindo uma nova atividade

Todos ouvem falar que diabéticos devem fazer exercícios, que é bom pra saúde, para o controle da glicemia, e mais um monte de coisas. Acredito que isso não deveria ser uma obrigação apenas para diabéticos, e sim para todas as pessoas. Atividade física é bom não só para melhorar glicemia, peso ou para ter um corpo mais definido e bonito. Ela também serve para ter mais disposição, melhores noites de sono, diminuir as chances de ter depressão, melhorar os efeitos da TPM, e mais vários outros efeitos positivos.

Vou contar para vocês minha experiência com atividades físicas…

Voltando à época do colégio, eu sempre gostei muito de praticar esportes coletivos (mas isso se resumia apenas às aulas de educação física). Eu gostava muito porque eu me divertia jogando, mas nunca quis aquele compromisso de ficar treinando, queria apenas jogar por diversão. Gostava de futebol, basquete e vôlei. Mas isso era 50 minutos ou até menos uma vez por semana. Era muito pouco para ter algum efeito real no meu controle da diabetes ou até mesmo para o meu corpo.

Quando fui para a faculdade, eu realmente abandonei qualquer atividade física. Minha vida era uma correria, fazia estágio, estudava a noite, morava longe tanto do trabalho quanto do estágio e achava que não tinha tempo para fazer nenhuma atividade física. Durante todo esse tempo meus médicos sempre brigavam comigo, me cobrando de fazer alguma coisa. E eu tentei. A primeira tentativa, foi andar de esteira ou de bicicleta 40 minutos em casa. Tenho alguns pontos a falar sobre essa tentativa:

  • Não me mantive muito tempo fazendo isso. Nunca gostei de andar de esteira ou de bicicleta. Particularmente, acho muito chato e monótono. Tentava deixar mais divertido: ouvia música, lia livros, assistia televisão. Mas nada resolvia. A grande verdade é que era uma hora muito chata e maçante para mim. Realmente não gostava.
  • E esse ponto de não gostar acabou gerando esse outro. Meu controle, ao invés de melhorar, estava piorando. Toda vez que ia fazer a atividade, verificava a glicemia antes e depois e o resultado era, minha glicemia subindo. Isso estava me desmotivando ainda mais. Porque eu estava me esforçando para fazer algo para melhorar meu controle e o que estava acontecendo era realmente o contrário. O que minha médica disse a respeito disso, na época, foi que, pra mim, essa era uma atividade estressante, e o que acontecia era o que eu estava notando, o aumento da glicemia. Disso eu tirei uma lição, fazer apenas o que eu gosto e não porque sou obrigada.

A conclusão, foi que parei de fazer esteira e andar de bicicleta. A outra tentativa, foram aulas de dança. Fazia todos os sábados, aulas de sertanejo. Eu descobri que adoro dançar e além disso aprendi algumas coisas com a dança:

  • Ter menos vergonha e mais segurança – Sempre fui muito tímida e a dança era um tipo de exposição muito grande para mim. Fui aprendendo aos poucos a ter menos vergonha e a dançar sem me preocupar tanto com o que os outros estariam pensando.
  • Ter mais paciência – Na dança, a mulher é sempre conduzida pelo homem, e isso significa, que não adianta nada a mulher querer sempre estar à frente do homem ou ensinar os passos para ele, isso acaba com a sintonia do casal e torna a dança até feia. O homem sabendo ou não, é ele que tem que conduzir e mostrar para a mulher qual o próximo passo. Isso foi algo interessante para mim, pois tive que aprender a esperar e a confiar mais na outra pessoa.
  • Dançar – esse era um dos objetivos rsrsrs. Aprendi alguma coisa sobre dançar e isso foi muito legal. Comecei a me interessar muito mais em aprender a dançar outros ritmos também.
  • Com relação a diabetes – não consegui ver uma diferença tão grande. Até porque eu fazia aula apenas uma vez por semana durante uma hora.

Acabei parando com a dança também, mas não por estar desmotivada ou por estar prejudicando meu controle glicêmico. Eu realmente adorei dançar. Meu problema maior era perder 3 horas (1 hora de ida + 1 hora de aula + 1 hora de volta) de um sábado à tarde. Estava muito ruim conciliar tudo com trabalho e faculdade. Só por esse motivo que eu parei. Pretendo ainda um dia voltar a dançar e aprender novos ritmos.

Continuando, terminei a faculdade e fiquei com mais tempo livre, e resolvi me dedicar mais a alguma atividade física. Fiz zumba. Fazia duas vezes por semana uma aula de uma hora. É uma aula muito boa, você sai dela realmente esgotado. Com as aulas percebi diferença no meu controle glicêmico. Foi muito legal. O que aconteceu foi que eu acabei enjoando das aulas. Eram sempre as mesmas coisas e demoravam para mudar. Mas, apesar disso, é uma aula que eu recomendo, realmente faz diferença em vários pontos do seu dia a dia.

Finalmente, chegando a como está a minha vida hoje, vou contar como cheguei ao exame de troca de faixa do Taekwondo!

Eu sempre achei que não gostava de nenhum tipo de luta. Por esse motivo, nunca nem fui atrás pra ver se eu gostava. Até que um dia, alguns amigos me chamaram para ir fazer uma aula experimental de taekwondo. Fui e achei super legal, além de ter baixado minha glicemia logo após uma aula. Sei que isso não é o essencial, mas foi uma aula que sai com aquela sensação de que realmente tinha feito algo. O único problema, é que não tinha gostado muito do professor e o local e horário era bem ruim. Então decidi procurar outro lugar, mais perto ou da minha casa ou do trabalho e com um horário mais acessível. Assim eu achei o Espaço Boreal. Fui a uma aula experimental e achei muito legal. A aula era muito boa, respeitava os limites de todo mundo, e todo mundo estava super aberto a me ajudar e a me auxiliar. E não só a mim, mas uns aos outros. Resumindo, fui super bem recebida. E o que eu achei mais diferente, minha aula tinha (e ainda tem) pessoas de todas as idades, com sua maioria crianças/adolescentes. Confesso que isso me deixou um pouco assustada, pela diferença de idade, achei que seria bem difícil eu me enturmar e me sentir à vontade. Mas o que aconteceu foi bem ao contrário. Me senti super à vontade, todos foram muito legais comigo, tem muito respeito e sempre conversam e estão dispostos a ajudar. Confesso ainda, que hoje, acho isso bem essencial, essa troca de experiência entre pessoas de todas as idades, é um aprendizado enorme.

Falando um pouco do Taekwondo, apesar de ainda não saber tanto assim, pela parte da filosofia, acho fascinante o respeito que toda a arte marcial traz, além da disciplina. Todas as faixas tem algo para ensinar, não importa. Eu como faixa branca, todos me ajudavam, do faixa preta até uma faixa acima de mim. E tudo isso com respeito, respeitando meus limites, minha falta de coordenação, ou até mesmo minha vergonha. Outra parte que eu achei muito interessante, ainda falando da filosofia, são os professores (faixas preta) ensinarem não só os golpes, chutes ou socos, mas ensinarem os fundamentos de cada posição e o porque é melhor da forma X do que da forma Y, explicando todo o posicionamento e firmeza do corpo. Além dos ensinamentos da cultura coreana, algumas palavras da língua, dentre outras coisas relacionadas à cultura e filosofia.

Para mim, isso acaba não se aplicando tanto, até porque já estou formada na faculdade, mas eu vejo sempre a preocupação do mestre com o rendimento escolar dos seus alunos. Tanto que para trocar de faixa, é necessário mostrar o boletim com boas notas. Além de que é inadmissível, os alunos do taekwondo se envolverem em brigas ou sairem batendo nas pessoas fora da sala de aula. As principais características do taekwondo são: Cortesia, Lealdade, Respeito, Perseverança, Honra, Integridade, Auto Controle, Disciplina e Superação. Essas 9 palavrinhas estão bastante presentes em todas as aulas.

Indo para a parte de atividade física, tem tanto a parte de resistência, quanto de alongamento, até chegar nos chutes, socos e defesas. Durante as primeiras aulas, ficava o resto da semana totalmente dolorida, sem nem conseguir andar rsrsrs. Isso significa que eu realmente estava exercitando músculos que antes estavam esquecidos. Então, não se resume apenas a força, tem toda a parte de equilíbrio, concentração e percepção do seu corpo para executar corretamente os movimentos.

Bom… finalizando, o taekwondo vem me fazendo muito bem, tanto para mente, quanto para o corpo quanto para a minha diabetes. No último mês, inclusive, passei pelo exame de faixa e passei da faixa branca para a laranja! *-* Foi uma experiência muito legal, além da sensação de que estou realmente fazendo algo direito. Toda aula um aprendizado diferente e sempre sendo recompensada pelo esforço. Abaixo mostrarei um pouco sobre o exame. Em breve voltarei falando mais curiosidades sobre minhas aulas de taekwondo. Qualquer dúvida, podem me mandar, que ficarei muito feliz em poder ajudar ;D

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Mudanças: Bomba de Insulina versus Caneta

Mudanças

Pra quem não sabe, sou diabética há 12 anos e já passei por alguns tipos de tratamento para a diabetes. Nos últimos 3 meses voltei a usar caneta, com as insulinas NPH e R. Nos últimos 5 anos, estava usando bomba de insulina. Essa troca aconteceu porque minha médica estava achando que o tratamento com a bomba de insulina não estava sendo bom pra mim no momento e achou melhor voltar para o método tradicional com a caneta.

Confesso que isso foi um choque para mim, porque eu sempre vi muitas vantagens na bomba, e achava a caneta terrível. Mas, por ser uma recomendação médica, aceitei e troquei o tratamento. Na época, estava um caos para mim, estava odiando a ideia. Hoje, consigo ver algumas vantagens e vejo ainda mais, o quanto estava me tornando preguiçosa com o controle da minha diabetes na época que estava usando bomba.

Antes de falar sobre o que achei de cada uma, vou falar um pouco sobre como é cada uma delas:

  • No tratamento com a bomba de insulina, é usada apenas um tipo de insulina, a de ação rápida ou ultra rápida. Com isso, a pessoa fica com a bomba conectada ao corpo durante 24 horas por dia e tem uma insulinização constante. O indicado é a troca do cateter a cada 3 dias, o que significa, uma picada a cada três dias.
  • No tratamento com a caneta, são usadas dois tipos de insulina, a de ação rápida e a lenta. No meu caso, uso a NPH e a R. Ainda exemplificando o meu caso (cada pessoa tem um tratamento diferente), uso a NPH três vezes ao dia em horários fixos (manhã, tarde e noite) e a R a cada vez que me alimento.

Agora vou contar o que eu achei de cada uma das terapias. Não necessariamente são vantagens e desvantagens, porque cada um tem uma percepção diferente e um gosto diferente. Deixando claro, que essa foi uma percepção minha e que nem sempre todas as pessoas acham isso. Além disso, para toda e qualquer mudança, converse antes com o seu médico 😉

# Quantidade de picadas

Acredito que uma das diferenças mais gritantes seja quanto ao número de picadas em um espaço de tempo. Vou sempre me usar como exemplo para facilitar. Enquanto com a bomba eu tinha que me furar uma vez a cada 3 dias, com a caneta eu tenho que me furar no mínimo 6 vezes por dia (3 vezes fixas da NPH e nas refeições grandes: café, almoço, jantar com a R. Isso sem contar com os lanches, que aumentariam mais umas 3 vezes). Isso era algo que pesava muito para mim logo que eu comecei a usar a bomba de insulina. Hoje, voltando para a caneta, não estou ligando tanto para esse fator. Na realidade, aprendi a lidar mais com a quantidade de vezes que tenho que tomar insulina.

# Companheira

O uso da bomba, te obriga a sempre carregar um objeto consigo. E não apenas um objeto, mas um objeto com fios. Isso acaba gerando algumas complicações com as roupas. Ou sempre tem que ter um bolso, ou precisa ter algum tipo de suporte para a bomba, para mantê-la presa ao seu corpo. Já a caneta, te obriga a sempre carregar a(s) caneta(s) e agulhas, mas não tem nada preso ao seu corpo. No começo do uso da bomba, era um incômodo, mas depois de pouquíssimo tempo, era como se ela já fizesse parte do meu corpo. A migração para a caneta causou até algum estranhamento, pois parecia que estava sempre faltando algo. Mas é algo de costume na minha opinião.

# Horários

Com o uso da caneta, a insulina lenta precisa de horários. Então, não importa se você perdeu hora, ou se é final de semana, a insulina sempre tem horários para ser tomada. Já com a bomba, isso não acontece, porque a própria configuração da bomba (feita pelos médicos) já se encarrega de fazer o papel da insulina lenta.

# Liberdade

Para alguns a liberdade pode ser uma maravilha, para outros pode ser um motivo para se acomodar. A bomba de insulina dá uma maior liberdade, pelo fato de você poder comer a qualquer hora e não ter que se furar e preparar tudo para tomar insulina. A única coisa a ser feita é apertar um botão para regular a quantidade e pronto! A insulina já está indo para dentro do seu corpo. Isso acaba te deixando mais livre para comer em diversos horários, várias vezes ao dia, sem nenhum tipo de “preocupação”. Com a caneta, comigo pelo menos, existe sempre a preocupação de tomar mais uma picada. Então pra mim, minha vida fica mais regrada, comendo no horário certo e tudo mais. Além disso, existe sempre a lembrança, de que você está tomando conta da sua diabetes, enquanto a bomba, te deixa mais livre, e pode causar até um sentimento de comodismo.


Eu defendo muito a ideia de que, nós, diabéticos somos pessoas normais, que podemos ter vidas normais sem nenhum tipo de restrição. Mas querendo ou não, nós temos que ter uma preocupação a mais, tomando nossa insulina no horário certo e da forma certa, fazendo contagem. Disso não podemos esquecer. O que aconteceu comigo, foi que quando eu voltei para a caneta agora, tive um choque de realidade. Como muitos falam “lembrei que sou diabética”. Não no sentido negativo, mas no sentido de que eu tenho que me cuidar para que tudo continue bem. Então hoje, depois do período que estava revoltada por ter “perdido” a bomba, eu percebo que foi bom para eu acordar, e lembrar que preciso me cuidar.

Hoje eu percebo, que os dois tipos de tratamento são ótimos, cada um tem suas vantagens. E, às vezes, precisamos transitar entre eles. Porque durante a nossa vida, passamos por momentos diferentes, temos necessidades diferentes, e obviamente nossa diabetes tem que se adequar a tudo isso. Então às vezes é necessário mudar e perceber como funcionam outros tipos de tratamento, lembrar que precisamos nos cuidar e não apenas ficar revoltado achando que o mundo é injusto.

A diabetes e eu

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Estou há bastante tempo afastada, mas hoje estava no Facebook e vi a mensagem de uma mãe falando sobre seu filho de 10 anos e divulgando o blog dele que ele estava voltando a escrever. O pouco que ela contou sobre a história dele me tocou e decidi escrever uma mensagem para ele escrevendo sobre o que eu já passei. Aí percebi que nunca tinha feito isso aqui de verdade e decidi transformar em um post. Espero que vocês tenham paciência para ler e qualquer coisa que queiram conversar estou aberta. Bom… então vamos começar….

Meu nome é Fernanda, tenho 21 anos e sou diabética há 10 anos. Tenho esse blog, no qual tento passar a minha visão sobre a diabetes com a explicação de tudo o que acontece no nosso corpo, novidades, entre outros. Decidi criar esse blog por ver como existem muitas versões de um mesmo assunto quando se trata da diabetes. E sempre quis passar que é possível viver bem com a diabetes sem nenhuma restrição, esse é o principal objetivo desse blog.

Pra começar, como minha médica Márcia disse há muito tempo para mim “a diabetes não é uma doença é apenas um problema”. E essa frase eu levei por toda a minha vida e eu de fato não me considero uma pessoa doente. Tenho apenas um problema com o qual tenho que lidar e cuidar todos os dias, assim como temos que nos alimentar pra viver, dormir ou qualquer outra coisa para nossa sobrevivência. Eu descobri que tinha diabetes quando tinha 10 anos. Emagreci 7kg e os outros sintomas eu não sentia porque sempre bebi muita água. A única coisa diferente na minha casa, foram formigas que apareceram no vaso do banheiro (minha glicemia estava tão alta que o açúcar estava sendo eliminado pela urina). Meu pediatra, na época, pediu um exame de sangue. Fiz e quando saiu o resultado minha mãe passou o resultado pelo telefone para ele. A única coisa que ele falou foi “corre para um hospital”.

Fomos para o hospital, fiz um novo exame de sangue e fui internada na UTI com quase 600mg/dL de glicemia. Mas não fiquei muito tempo por lá, passei menos de dois dias na UTI e depois fiquei no quarto. A partir daquele momento, comecei a tomar insulina e nunca mais parei. Minha vida mudou… Descobri que tinha uma “doença” que nem sabia direito o que era, a única coisa que eu sabia era que meu avô tinha, mas só isso. Sai daquele hospital tendo que enfrentar um novo mundo, que eu nem sabia direito qual era ele. Não sabia o que eu deveria fazer, nem como cuidar da diabetes. Minha primeira médica foi particular. E a primeira proibição foram dos doces. Eu era uma criança que não comia muitos doces, mas a partir daquele momento eu comecei a ter vontade de comer qualquer tipo de doce. Eu costumo dizer que naquela época eu era uma pessoa doente. Eu tinha algumas proibições, minha glicemia não era nem um pouco controlada (300/400 era meio que normal) e minha médica não dava muita instrução para mim. Minha sorte é que eu tinha pessoas ao meu lado: minha família e meus amigos. Todos me davam o maior apoio, não comiam doces na minha frente e me ajudavam com tudo. Mas isso não quer dizer que eu não tenha me perguntado várias vezes: “porque eu?”, “o que eu fiz para ter isso?”, entre tantas outras perguntas que tenho certeza que todos já se fizeram nessa situação.

Eu convivi com essa situação por algum tempo, até que minha mãe descobriu que uma amiga dela, que também tinha diabetes, passava no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Fomos descobrir como fazer pra entrar lá. Resultado, passei um ano em uma fila de espera. Até que me chamaram, foi nesse momento que minha vida mudou completamente.

Lá aprendi uma nova forma de viver, sem qualquer tipo de proibição. Eu podia realmente viver como uma pessoa “normal”. Não gosto muito de usar a palavra “normal”, porque isso induz que existem pessoas anormais. Mas na realidade cada pessoa é única, com suas diferenças, seu jeito, suas ideias e suas manias. Mas voltando… no hospital das clínicas, aprendi como viver bem, comendo de tudo e sem nenhuma restrição. Nesse período, eu descobri o que a diabetes trouxe de bom para a minha vida. Aprendi a controlar meus horários, comendo de 3 em 3 horas. Isso era meio que uma necessidade, porque se eu seguisse isso, aplicaria insulina menos vezes, que já eram muitas (7 vezes). Aprendi a ter mais responsabilidade comigo e com minha diabetes, porque se eu não me cuidasse, ninguém mais cuidaria e muitas complicações poderiam vir. Então nesse momento, eu decidi deixar de ser uma pessoa “doente” e comecei a tirar o que tinha de melhor em ser diabética.

Quanto as insulinas, inicialmente, quando ainda passava com a médica particular tomava dois tipos de insulina NPH e Rápida e tinha as quantidades tabeladas. Quando entrei no hospital das clínicas, comecei com Lantus e Rápida e fazendo contagem de carboidratos (e era por conta da contagem que eu podia comer de tudo). Nessa época tomava no mínimo sete picadas por dia e a cada vez que eu comia algo fora dos meus horários era uma picada a mais. Depois de um tempo, minha médica decidiu fazer um teste comigo, com a bomba de insulina durante um mês. Antes do teste eu não queria usar bomba, porque eu tinha medo e não gostava da ideia de um aparelho conectado a mim 24 horas por dias. Quando eu aceitei fazer o teste, não queria saber de trocar, adorei a bomba. Aí através de um processo contra o governo, consegui uma bomba para mim e todos os insumos gratuitamente. Foi outra mudança de rotina e na forma de viver. A partir daí, eu tive muito mais liberdade para me alimentar, inclusive eu acabei engordando. Podia comer de tudo em qualquer hora e isso não significava mais uma picada. No final, troquei sete picadas por dia por uma picada a cada três dias, além da maior liberdade nos horários para me alimentar. Foi um ganho e tanto. A troca para a bomba foi em um momento propício, porque foi exatamente quando estava entrando na faculdade, quando todas as minhas rotinas mudaram e viraram de cabeça para baixo, mas já falo mais do que acontecia com a minha vida pessoal. Depois de mudar para a bomba, minha qualidade de vida aumentou muito e em contraposição meus controles pioraram um pouco. Isso foi junto com uma mudança de rotina e de vida enorme, mas estou conseguindo reverter e estou quase chegando na casa dos 6 de hemoglobina glicada.

Bom… a diabetes atrapalhou em alguma coisa a minha vida? Não, em nada. Saio com meus amigos e vou em festas (não tanto, mas por escolha minha), estudo, vou me formar, trabalho, já namorei, vou a shoppings, restaurantes…. resumindo, a diabetes não me proíbe de fazer nada. Nunca sofri bullying por isso, meus amigos sempre tentam entender o que é e me apoiam. Já recebi apelido na faculdade por conta da bomba, mas tudo brincadeiras saudáveis. Minha família também sempre me ajuda. Nunca tive convulsão ou entrei em coma. Tenho problemas de visão (astigmatismo e hipermetropia) mas nada por conta da diabetes, é “meu” mesmo (sempre faço exames de fundo de olho).

Agora… sempre só tive momentos bons durante meu tratamento da diabetes? Também não. Momentos de stress e de ansiedade descontrolam minha glicemia. TPM, gripe e infecções igualmente. Já tive diversos problemas, um deles eu tive umas 10 vezes o mesmo tipo e ia no médico e eles sempre receitavam o mesmo antibiótico. Eu cheguei a não aguentar mais. Todos esses momentos foram difíceis e deixaram a minha glicemia louca.

Mas parando de falar de momentos ruins, todo mundo, diabético ou não passa por dificuldades. Eu costumo dizer que a diabetes pode ser um bicho de sete cabeças horrível ou pode ser um gatinho fofo, só depende do que queremos. Podemos ter a diabetes como nossa amiga ou como nossa inimiga. Eu preferi torná-la minha amiga. A maioria das pessoas que convivem comigo, ou não sabem que eu tenho ou se sabem nem lembram, porque eu não faço com que isso seja a pior coisa da minha vida. E também achar que é o perseguido por ter diabetes ou que a vida é injusta não adianta nada e também não vai mudar nada. Já que não tem jeito e temos que viver com a diabetes de qualquer forma, porque não viver do melhor jeito? Ter um blog me fez ver a diversidade das pessoas, e como elas convivem com a diabetes de formas totalmente diferentes e é por isso que estou aqui contando minha história. Se você chegou até aqui, o que eu tenho para dizer é que a diabetes não me define, nem é o mais importante na minha vida mas ela faz de mim quem sou hoje e de certa forma é muito importante para mim. Então não fiquem rejeitando a sua diabetes, por pior que seja, porque ela faz parte de cada um dos diabéticos e por enquanto não temos como mudar isso.

Insulina Inteligente

Um dos principais problemas de nós diabéticos, é com nossa glicemia e a quantidade de insulina que devemos tomar. Diante disso, pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo uma nova molécula de insulina para controlar os níveis de açúcar no sangue. Mas em que isso difere das insulinas já existentes?

Esse novo tipo de insulina será capaz de “perceber” como está o nível de glicose no sangue e só atuar quando estiver alto. Como assim? Foi adicionado à insulina um “sensor” chamado  PBA (ácido fenil borônico), que liga a molécula de insulina às células do sangue e impede que ela tenha um efeito contínuo. Quando a glicemia aumenta, o PBA solta a insulina e dessa forma ela pode regular a glicemia. Isso impede que tenhamos hipoglicemia, já que a insulina só irá atuar no momento certo.

Segundo um dos autores da descoberta, Danny Chou,  “A Ins-PBA-F se encaixa na verdadeira definição de ‘insulina inteligente. É a primeira desenvolvida dessa maneira. Ela parece controlar os níveis de açúcar no sangue melhor do que qualquer outra coisa que está disponível para pessoas que têm diabetes no momento”

Por enquanto, os pesquisadores viram que essa insulina dura por 14 horas, até menos do que algumas já existentes no mercado, mas sua principal diferença é sua “inteligência” para perceber a glicemia. Essa insulina está passando por testes em animais e os pesquisadores já estão pensando em como usar essa nova descoberta no tratamento em humanos. Eles acreditam que os testes clínicos com a nova insulina serão feitos nos próximos 2 a 5 anos.

Riscos e Benefícios da Atividade Física

Outro assunto muito tratado na área da saúde, são questões com a atividade física. E todos sabem o quanto ela é importante não só para diabéticos, mas para todo mundo. Mas quais são de fato as vantagens da atividade física? E ela pode fazer algum mal? É sobre isso que falarei hoje…

Uma atividade física feita de forma moderada por 30 minutos por dia já é o suficiente para tirar uma pessoa do sedentarismo. E somente essa meia horinha, consegue trazer muitos benefícios para nossa saúde e para a diabetes. Dentre eles:

  • Mais disposição
  • Melhoram a sensação de bem-estar, diminuem a ansiedade e a probabilidade de depressão
  • Melhora de humor
  • Perda de gordura
  • Melhora da imunidade
  • Baixa a glicemia ou diminui a quantidade de insulina a ser tomada (por esse motivo a atividade física deve ter um acompanhamento médico)
  • Além de diminuir os riscos da diabetes mal controlada

Porém, apesar de todos esses benefícios, existem alguns cuidados para tomar antes, durante e depois da atividade física. O primeiro de todos é com a glicemia. É importante verificar quanto está a glicemia antes da atividade. Para cada faixa de valores deve-se tomar um cuidado especial (deve consultar um médico antes):

  • Menor que 80 (hipoglicemia): não praticar atividade, ingerir carboidrato e medir novamente glicemia após 15 minutos
  • Entre 80 e 100: ingerir 15g de carboidrato e observar durante a atividade
  • Entre 100 e 250: praticar atividade normalmente
  • Acima de 250: não é recomendado a prática de atividade física

Em todos os casos é muito importante a hidratação durante a atividade e também ter sempre junto um carboidrato de fácil absorção (isotônicos, balas, refrigerante…). Além disso, qualquer indisposição durante a atividade, é recomendado parar e medir a glicemia novamente.

Além disso, se a atividade não for algo que você goste, ou te estressar, a atividade física pode ter o efeito contrário. Ao invés de baixar a glicemia, pode aumentar. Então o importante é fazer algo que goste, te satisfaça, e não desistir.

Pés e o Diabetes

pé

Todos ouvimos falar da importância em cuidar dos nossos pés. Mas quais são os reais cuidados que devemos ter? E porque esse assunto é tão falado?

Primeiramente, a saúde dos pés está diretamente ligada ao controle da glicemia. Uma glicemia descontrolada durante muito tempo, pode trazer complicações para diversas partes do corpo, e os pés são uma delas. Com a glicemia descontrolada, a cicatrização fica ainda pior, juntamente com a circulação (principalmente nos membros inferiores). Como o diabético, geralmente só percebe algum problema quando já está com uma ferida, o tratamento fica bem mais complicado, podendo chegar até a uma amputação.

E quais os cuidados que devemos ter?

  • O mais importante de todos, é sempre manter os níveis glicêmicos controlados.
  • Examinar os pés diariamente,  vendo se existem frieiras, cortes, calos, rachaduras, feridas ou alterações de cor.
  • Também é importante pedir ao médico que faça uma avaliação dos pés na consulta.
  • Manter os pés limpos, usando água morna ao invés de quente (para evitar queimaduras).  Secar com uma toalha macia. Manter a pele hidratada, sem passar creme entre os dedos ou ao redor das unhas.
  • Usar meias sem costura, e de algodão ou lã.
  • Cuidados com calçados. Os ideias são os fechados, macios, confortáveis e com solados rígidos, que dão firmeza. Mulheres devem dar preferência a saltos quadrados com no máximo 3cm de altura. E também é bom evitar sapatos apertados, duros, de plástico, de coro sintético, com ponta fina, saltos muito altos e sandálias que deixam os pés desprotegidos.

Essas são algumas dicas de como cuidar dos nossos pés. Com nosso dia a dia, algumas delas são bem difíceis de conseguir. Mas o mais importante, é manter a nossa diabetes controlada para evitar maiores complicações. Mas também é necessário não esquecer dos nossos pés, porque eles sofrem com os sapatos que usamos.

Pesquisa sobre “reiniciar” sistema imunológico

Bom, antes de tudo, ainda não existe a cura da diabetes!

O que os pesquisadores da universidade da Flórida descobriram é que pode ser possível voltar a produção de insulina em diabéticos tipo 1, que convivem com a diabetes entre 4 meses e 2 anos. Primeiramente, os resultados para esse tratamento foram bem sucedidos, apesar de terem feito em apenas 17 pessoas.

E como funciona esse tratamento?

Em um primeiro momento, um medicamento (timoglobulina) é utilizado para limpeza do organismo, ou seja, limpar as células do sistema imunológico que tiverem problema. Isso porque, uma causa possível para a diabetes tipo 1 é o ataque das células imunológicas às células beta (encontradas no pâncreas, que produzem insulina).

Depois, é utilizado um outro medicamento (Neulasta), que é usado em pessoas com câncer, para estimular a produção de células imunes novas.

As pessoas que passaram por esse tratamento tiveram um aumento na produção das células betas, responsáveis pela produção de insulina.